07 July, 2009

perdidamente sós

É previsível que neste curto espaço de tempo, no segundo que percorremos, na idade que nos faz ser um pouco mais que um minúsculo ponto no mais recôndito espaço que nos surge no infinito espaço que nos envolve, sermos pensantes, sermos seres, sermos capazes de conscientemente perceber que existe algo demasiado grande, demasiado enorme, desmedidamente infinito para caber na nossa compreensão. E que tudo sempre foi e sempre será o que indubitavelmente é…

É demasiado escassa a nossa capacidade, de só por nós, colocarmos as nossas ideias de uma forma universal, é demasiado pequena a nossa capacidade de sentir o que nos rodeia como sendo exclusivamente nosso, é inevitável não compreender a nossa dimensão na dimensão própria do planeta que habitamos, quanto mais de todo o espaço escuro e vazio que nos guarda no seu mais profundo e inóspito canto.

Quando a pequeneza continua a ser demasiado grande para nós, sujeitamo-nos a ser o grão mais pequeno dos grãos pequenos, que ilimitadamente somos.

Eternamente filhos das estrelas, eternamente filhos da escuridão e do tempo que nenhum relógio pode ou consegue contar, aqui estamos nós, na nossa pequena ilha, tão grande aos nossos olhos, mas invisível para quem nos vê para lá do espaço que nos separa da realidade do cosmos que habitamos. E aqui estamos sós. Tão perdidamente sós.

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